Tradições de Pereira

Lenda de São Tiago

Durante as festas de São Tiago tem particular destaque a festa do urso que se pode assim resumir:
Um nobre vai à caça com os seus criados, batedores e um bobo, para os ocupar durante a estadia nos montes. Junto segue também uma burra suportada com tudo o que é preciso para acampar.
Escolhido um bom lugar para acampar, o nobre e os batedores vão para a caça ficando os criados que entretanto se vão embriagando. Verificando o seu estado, um conjunto de ladrões troca os utensílios e os artigos que se deparam no acampamento, tachos, panelas, melões, cabaças de vinho, por outros idênticos mas contendo no seu interior gatos,sardões,cobras,pombas,etc.…
Ao mesmo tempo, o bobo brinca com a burra, enquanto se vai aproximando um urso que leva consigo, um atrás do outro, os criados, coscuvilhando e partindo tudo o que encontravam, soltando deste modo toda a espécie de bicharada.
A equipa de caça volta ao acampamento verificando o estado que se encontra. Não tendo mais criados para levar, o urso transporta todos os batedores deixando apenas o nobre. Este, ao ver-se sozinho perante o urso entra em pânico e, depois de ter levado uma sapatada do urso e gritando por ajuda, ajoelha-se e grita: “Valha-me São Tiago”.
Após este grito, ouvem-se vários estoiro e do meio de uma nuvem de fumo surge a figura imponente de São Tiago. A cavalo, que, após uma curta luta com o urso, o abate.
Finalmente o urso é carregado em triunfo, perante a alegria geral do Povo presente.

Procissão do Senhor dos Passos

No quarto domingo de Quaresma, anualmente a Vila de Pereira leva a resultado a manifestação religiosa da procissão do Passo do Senhor. Passo porque a cerimónia representa os “Passos” dolorosos de Jesus no caminho de sacrifício que o levou á crucificação no Calvário.
A Igreja da Misericórdia constitui o espaço escolhido para a saída e recolha da Procissão. Na altura abre-se a tribuna em frente ao Altar, antecipadamente preparada para a cerimónia e surge diante dos fieis, o Senhor dos Passos, de cruz ao ombro, coroa de espinhos e resplendor na cabeça, túnica roxa cingida ao corpo, cabelos caídos e postura de sofrimento, acompanhado dos anjos e da Verónica. Esta, canta o “Miserere” e liberta o pano que recebeu o rosto de Cristo depois de lhe ter secado a cara. Alguns músicos executam cânticos alusivos, ouvindo-se os acordes musicais.
Segue-se a Procissão, que abre com o pendão roxo da Misericórdia, depois os irmãos da Irmandade do Santíssimo Sacramento e os Misericórdia com mopas e círios nas mãos, as crianças da cruzada com o estandarte, a Verónica, os dois anjos, o andor com a imagem do Senhor dos Passos levado por homens com mopas roxas e ladeado de lanternas. Atrás o Palio, onde se abrigam os Sacerdotes o Santo Lenho, transportado pelas autoridades civis.
A procissão percorre as ruas do trajecto e chega ao Largo da Feira. Aqui, o Sermão do encontro, que no momento apropriado faz caminhar a Mãe de Cristo (imagem de Nossa Senhora da Soledade) levando-a ao encontro do Filho.
A Verónica faz ouvir a sua voz impregnada dolente e enternecida, enquadrado na hora de sofrimento que passa.A Procissão segue para a Igreja e no interior desta o sermão do Calvário.

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